11 de abr de 2010

Antes de Morrer

Peça à sua melhor amiga para ler as melhores partes da revista que estiver lendo: moda, fofocas. Diga-lhe para se sentar perto o suficiente para você poder alisar-lhe a barriga em toda sua incrível extensão. E, quando ela tiver de ir para casa, respire fundo e diga-lhe que a ama. Porque é verdade. E, quando ela se inclinar na sua direção e sussurrar a mesma coisa, abrace-a com força, porque essas não são palavras que vocês diriam em circunstâncias normais.

Faça seu irmão se sentar ao seu lado depois de chegar da escola e contar cada detalhe do seu dia, cada aula, cada conversa, inclusive o que comeu na cantina, até ele ficar tão entediado que implore para sair e ir jogar futebol com os amigos no parque.

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Observe sua mãe tirar os sapatos e massagear os pés, porque seu novo emprego na livraria significa que ela tem de passar o dia inteiro em pé e ser educada com desconhecidos. Ria quando ela der um livro de presente ao seu pai porque tem um desconto e pode se dar ao luxo de ser generosa.
Veja seu pai beijar a bochecha dela. Repare em como sorriem. Saiba que, aconteça o que acontecer, eles são seus pais.

Ouça sua vizinha podar as rosas enquanto as sombras se espicham pelo gramado. Ela cantarola uma canção antiga, e você está debaixo do cobertor junto com seu namorado. Diga-lhe que sente orgulho dele, porque ele plantou aquele jardim e incentivou a mãe a cuidar das plantas.
Estude a Lua. Está bem próxima e rodeada por um halo cor-de-rosa. Seu namorado lhe diz que isso é uma ilusão de ótica, que ela só parece grande por causa do ângulo em relação à Terra.

Compare seu tamanho com o da Lua.
E à noite, quando você for levada novamente para o andar de cima e mais um dia terminar, recuse-se a deixar seu namorado dormir na cama de armar. Diga-lhe que quer ser abraçada e não tenha medo de ele não querer porque, se ele diz que sim, é porque a ama, e isso é tudo que importa. Entrelace suas pernas com as dele. Ouça-o dormir, ouça sua respiração suave.

E quando ouvir um ruído, como o vento batendo em uma pipa e chegando cada vez mais perto, como as pás de um moinho girando lentamente, diga:
- Ainda não, ainda não.
Continue respirando. Apenas siga fazendo isso. É fácil. Inspira, expira.
JENNY DOWNHAM

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